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SE A DIREITA TODA CABE NUMA SÓ CANDIDATURA, PQ MARINA QUERIA MAIS PARTIDOS?

Afinal, nas últimas horas, que milagrosa sutura se fez entre socialistas e neoliberais? Religiosos fanáticos e ateus? Ruralistas e ambientalistas? Defensores dos direitos humanos e defensores dos “humanos direitos”? O fato é que, em poucos dias, a partir da apuração dos votos do primeiro turno de nossas eleições presidenciais, forças políticas ultraconservadoras e confessamente anti direitos sociais, aglutinaram-se a outras, ainda piores e de proposições ainda mais assombrosas, posto que são abertamente contrárias a direitos humanos, consolidados constitucionalmente.

E como é que costuraram, tão rápida e eficazmente, ideários tão contraditórios entre si? Como montar um programa que contemple, simultaneamente, os interesses da militância da liberação da maconha e defensores da pena de morte? Saudosistas da ditadura e exilados políticos? Entre os favoráveis à Lei da Palmada e os contrários aos limites à porrada? Entre o playboy fanfarrão e os discretíssimos crentes? Entre ex-petistas e pró-monarquistas? Usuários da erva e os do rifle?

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Esse fenômeno dos últimos dias era esperado, mas como tendência perniciosa e não como elemento de coerência discursiva. Afinal, havia uma figura que, há pouco, justificava a necessidade de mais um partido (descontente com relação a todas as quase 3 dezenas de siglas existentes) e que, para isso, repetia como um mantra que era preciso superar a bipolaridade Democratas Vs. Republicanos nos EUA, (ops, se é nos States, it´s ok), se, no caso do Brasil, era urgente evitar a repetição da disputa entre o PT e o PSDB. O que mudou para, repentinamente, essa figura que só chegou até aqui por uma fatalidade, achar que cabe “todo mundo” do lado de lá? Se cabia toda a direita num só governo, porque Marina queria tanto um novo partido?

A partir da confirmação do que já se preanunciava – a junção de pastores, coronéis, playboys e santinhas -, multiplicam-se as dúvidas. Com que toque mágico, afinal, colaram os que renegam e abominam as siglas partidárias, aos dos partidos ideologicamente erigidos? Como irão compatibilizar o incomunicável? Como satisfazer os eleitores daquela do “um ovo pra 5” e os dos 5 empregados pra cada filho? Como justificar que a “nova política” começa pela velha troca de cargos, em troca de apoio eleitoral de conveniência?

Houve tanta exigência, por parte do eleitorado e das oposições, ao longo destes 12 anos. Houve todo mundo opinando sobre tudo, questionando, às vésperas da Copa, se o país eleito para sediar o evento internacional deveria fazê-lo. Houve massa na rua não só pelos vinte centavos e deputado reacionário questionando até a cor da vestimenta da presidenta. E agora, ninguém está ao menos curioso sobre como esse Frankenstein ira se movimentar? Onde estão os cronistas da TV, tão sabidos sobre tudo, do jogo de dominó às complexas relações exteriores, para comentar de que modo irão conviver, nessa coalizão de direita, os que já viveram em Cuba ou no Chile socialista e os que amariam morar nos Estados Unidos? A ala apoiada pelos artistas de todos os credos da Bahia e os que mandam tudo o mais para o inferno? E a paixão que não ia mais se calar: libera o beijo em público ou cura todos os gays? Os baluartes da ética aceitaram os campeões da ficha suja? As mulheres reconhecidas pelo eleitor como defensoras dos sem-terra e seringueiros perdoaram os coronéis que se “notabilizaram” diante dos que aplaudem o extermínio de quem quer reforma agrária? Os que já representaram o expoente das lutas pela igualdade racial brindaram a vitória junto aos que acham o trabalho escravo ‘natural’?

Não sei, não sei. Mas não quero ver no que isso vai dar. Muito menos quero pagar para ver!

Esquisito, esquisito… junta tudo num palanque, pra coxinha achar bonito?

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Retrospectiva 2013 by Sacimula

Saci e Mula sem cabeça tinham prometido que a fé no 13, havia de resultar num ano de sorte.
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Tudo foi mal, naquele trágico incêndio na Boate Kiss. Um país que abre o ano velando jovens mortos, por imprudência de empresários das baladas e ineficiência do poder público, precisava literalmente se refazer das cinzas, para merecer crédito, quanto à capacidade de antever e evitar tragédias.
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Sede do encontro de jovens católicos, da visita do Papa Argentino, em julho, essa fé num Brasil que abraça a juventude, a liberdade e diversidade de credos, plantou uma flor.
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Mas foi o fanatismo religioso que, numa de suas nefastas demonstrações de poder, abalou e feriu as tão caras convicções e batalhas por um mundo mais igual. A ‘cura gay’, ressuscitando o âmago da Inquisição do Santo Ofício, demorou a ser curada. O Estado anda pouco laico e deixa muito louco (do mal) ditar o que se pode ou não. Precisou o ano caminhar para o final para nos livrar do mal. Somente em dezembro, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias se viu livre de Marcos Feliciano, deputado ultra conservador e representante do que há de pior, de mais corrosivamente preconceituoso, possa haver na interpretação dogmática e autoritária do Evangelho.
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E quando parece que ninguém tá vendo, eis que nos vemos no centro da situação. Confirmado: como temos armas de destruição da fome em massa, Obama espiona o Brasil. Ele deve ter visto muita coisa, do pré-sal ao petróleo; do jogo do bicho ao bicho de pé. Tio Sam não ficou impune. Dilma desistiu de ir aos EUA, botou a boca no mundo. O bicho pegou!
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E a juventude não tolerou o aumento do busão. Não era pelos 20 centavos. Mas era, também contra os 20 centavos. Os meios de transportes utilizados pela maioria da população são caros, se for considerado o nível de desconforto.
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E a polícia mais violenta contra movimentos sociais, tem sido (disparado!), a do Estado de São Paulo. A repressão ao protesto estudantil foi tão violenta que acabou encontrando resposta a altura.
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Os cenários urbanos em completo caos e destruição, iniciados em São Paulo e repetidos por toda parte, por mais de um mês, causaram e ainda causam perplexidade, merecem análise atenta, comportam interpretações diversas. Mas revelam que o nível de participação ativa na política se ampliou. Bom para os ideais democráticos, mas melhor ainda para servir de termômetro da capacidade de superação dos problemas, sob a égide da justiça e da liberdade. Milhares se manifestaram no Palácio do Planalto. Ruidosamente. Ninguém saiu ferido por excessos da força policial.
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Em São Paulo, a ira popular manifesta no meio do ano, contra o aumento no preço da passagem, viria se justificar ainda mais e a merecer repercussão e indignação geral, uma vez que, a partir de denúncia iniciada no âmbito de uma mega empresa internacional – a SIEMENS – revelou-se que as autoridades do Estado mais rico da federação passaram as últimas 2 décadas roubando dinheiro do Metrô. Pois é, não era só pelos 20 centavos. Era pelos 20 anos de violência policial, descaso com a educação e a saúde e roubalheira encoberta e blindada que São Paulo, desmerecidamente, suporta.
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E a indignação seletiva diante da corrupção, operada de forma cada vez mais evidente, por parte das grandes empresas de comunicação, teve enfrentamento inédito, por parte dos movimentos sociais. A Rede Globo se torna cada vez mais óbvia e em 2013, bateu seu próprio recorde, anunciando o óbvio ululante: sim, ela admite que apoiou a ditadura. Os protestos contra a velha imprensa, sintetizados no ato público nas sedes dessa emissora – sendo o mais significativo, o da apoteótica “homenagem” à fachada do prédio, que recebeu “adubagem”- foram o corolário do que as redes sociais e seus blogs “sujos” têm possibilitado, em termos de reação à manipulação da informação.
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A contra ofensiva também marcou 2013. O pensamento progressista quer o marco regulatório. As grandes empresas desejam repor sob seu controle a sua velha, gasta e abominável ação monopolizante. Criar candidaturas anti populares, mas com cara de super-heróis do povo, tem sido um clássico dessa velha imprensa que, em que pese gasta e torta, parece longe de afundar ou desistir. Em 2013, um Juiz carrasco e um Senador mineiro da oposição foram os queridinhos da mídia conservadora.
Cerimônia de entrega da Medalha da Inconfidência
Mas isso não durou, ao menos, em seu invólucro de proteção ‘natural’. Notoriamente, foi o ano em que o que era pó ao pó voltou.
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Tanto Joaquim Barbosa, quanto o deputado dono de um helicóptero flagrado carregando quase meia tonelada de cocaína, haviam sido condecorados com medalhas por Aécio Neves, pré-candidato da oposição às eleições de 2014.
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Medalhas e medalhas… O Brasil teve um dos seus melhores anos, no esporte. E sob vais e aplausos, prepara-se para ser o país da Copa. A vitória na Copa das Confederações deu o tom de nossa maturidade. Somos, mais que nunca, o país do futebol. Mas essa chancela, ora nos serve como motivo de orgulho. Se ela já foi sinônimo de ofensa, se já significou a forma injusta de rotular nosso povo como anestesiado, conformista, passivo em relação aos seus direitos e em nome da fé cega no futebol, provado ficou que isso foi sempre um falso dilema e um rótulo descabido.
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A paixão pelo futebol não é motivo de passividade maior, nem menor, nem esclarece a apatia política. Não gostar do esporte não faz de ninguém um Che Guevara aguerrido. Do mesmo modo, as manifestações ruidosas que se espalharam pelo Brasil, a exigir das autoridades e demais setores sociais, educação e saúde com padrão FIFA, confirmam a vocação brasileira: a mão que toca o violão, se for preciso, faz a guerra.
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Desejo a todos, um 2014 de PAZ.
Grata aos que acompanham nosso blog, Saci & Mula colocam-se, desde sempre, na torcida por um ano de imensas conquistas sociais e alegrias. Um ano à altura e do tamanho do Brasil.

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Arquivado em CONTO E MOSTRO, JORNALISMO BOZO, MULA PUXA PAPO COM SACI..., PERERÊ CONTOU PRA SEM CABEÇA

Se o Ministro Joaquim Barbosa me concedesse uma entrevista…

Estou pautada pela impressão de que o processo foi brando, afinal, há indícios de que poderia ter sentenciado mais pessoas, inúmeras instituições, bem como ter se intensificado, buscando, para o Estado, alguma indenização e ressarcimento, caso algum dinheiro público tenha entrado nas supostas ou comprovadas transações. Se o Ministro Joaquim Barbosa me concedesse uma entrevista…

É óbvio que isso jamais aconteceria. O capitão do mato já humilhou e prejudicou até jornalista a serviço do PIG, imagine se ele concordaria em responder minhas questões! Mas sonhar não custa nada. Montei um breve rol de dúvidas.

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Seguem minhas inquietações:

A “síntese apertada” do processo seria a investigação de denúncia de compra de votos com dinheiro de caixa dois de campanha eleitoral. Logo, o senhor poderia explicar porque as linhas de investigação tomaram rumos estranhos ao que demandou inicialmente o processo?

Quem comprou votos? De quem? Quanto foi pago? Qual a origem primária do total pago? Quais caminhos, esse dinheiro percorreu? E pela ação e/ou omissão de quantas e de quais pessoas? Porque nem todos os envolvidos foram investigados e sentenciados?

Porque o repasse de Marcos Valério, pelo Visanet, à Rede Globo, ficou de fora das investigações? O publicitário foi sentenciado à prisão, inclusive, por lavagem de dinheiro. Esse repasse, em que pese a forma de publicidade, não seria parte da operação de lavagem?

A excessiva atenção às pessoas ligadas ao PT, em detrimento da investigação sobre os que receberam dinheiro para mudar seu voto no Congresso, teria comprometido os rumos das investigações. O senhor desmontaria essa convicção, com que argumentos?

Além disso, a fragilidade do Judiciário frente à nítida demanda pré-eleitoral, por parte da oposição ao governo e pela grande imprensa, teriam degenerado todo o processo. Como o senhor apagaria essa impressão?

Porque a Visanet figurou como entidade abstrata, sem que fossem referidos e nem julgadas as pessoas que agiram em nome da Visanet?

Ao contrário de pessoas ligadas ao PT que, pelo simples fato de presidirem o partido à época das supostas ocorrências, foram sentenciadas à prisão? Pode-se afirmar que o princípio da isonomia de tratamento aos investigados não foi desrespeitado?

Que instituições privadas participaram, além da Visanet?

Qual a participação das instituições partidárias (uma vez que se tratou de denúncia de compra de votos)?

Outro ponto de extrema importância, talvez a maior dentre outros aspectos, parece-me ter sido deixada completamente de lado. Se as denúncias foram de compra de apoio de parlamentares, por parte do partido do governo, o senhor não achou importante investigar e revelar quais projetos, leis, decreto, emendas?

Tanto quanto oferecer sentença de prisão, não teria sido importante saber o que, exata e detalhadamente, foi obtido em troca de dinheiro?

O eleitor não teria o direito de saber se o deputado em quem votou “traiu” suas promessas de campanha, em troca de dinheiro, recebido dos supostos operadores de um esquema de compra de votos no Congresso?

Por que faltou investigação sobre essa peça central, que é sustentáculo da soberania do eleitor? Ou, acaso, o senhor não concorda que o cidadão é a principal razão de ser e o maior interessado, em tudo o que se decide e de que forma é decidido, na esfera do Parlamento?

Os projetos aprovados sob a égide desse suposto esquema não configuram ilegalidade? Não seria possível afirmar que uma votação obtida pela compra de parlamentares constitui fraude ao sistema político vigente?
No caso da compra de votos ter-se efetuado para possibilitar a aprovação de um projeto de largo alcance social, como obras do PAC, PROUNI, BOLSA FAMÍLIA, MINHA CASA-MINHA VIDA, os investimentos e benefícios teriam que ser anulados? Como se daria essa anulação?

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No caso do cumprimento das sentenças no feriado de 15 de Novembro, por que alguns réus foram condenados a regime semi aberto, mas correm risco de ter que cumprir no regime fechado?

Isso não poderá gerar uma demanda lesiva ao estado brasileiro? Isso não pode gerar gastos (caso vençam uma ação indenizatória contra o Estado, por descumprir os direitos dos réus)? Não poderá gerar desgaste interno e internacional à imagem de nosso poder legislativo?

Estamos às vésperas de abrigar um evento internacional de grande porte. A confiabilidade em nosso sistema de poder executivo está em destaque. Mas e quanto ao legislativo? Não seria o momento em que precisaríamos exibir o quanto ele é avançado e impecável?

Nessa mesma linha, não é danoso à imagem da justiça brasileira perante o fato de a Suíça ter condenado funcionários da Siemens por corrupção e, no Brasil, o maior interessado, tenham sido abafadas, pelo judiciário e pela grande imprensa, as gravíssimas ocorrências, envolvendo desvio de verba pública por governantes e executivos, da ordem de bilhões?

O senhor não acha grave a já constatada evasão de parte dessas divisas para paraísos fiscais? A impunidade dos envolvidos e, por consequência, a desobrigação em resgatar do exterior o dinheiro roubado não lhe incomodam a consciência? Sente-se honrando o cargo que ocupa?

Para além da preocupação com a imagem pública do poder legislativo, da respeitável pasta que o senhor chefia, não há uma crise de consciência, diante das elevadas demandas sociais por saúde e educação, ao passo que, bastando um gesto do senhor, todo esse dinheiro teria que ser devolvido ao povo paulista?

Não lhe causa espécie o fato de que as mais consistentes mobilizações sociais em nosso país, em 2013, tenham ocorrido a partir das reivindicações por melhorias no transporte público e, por irônica coincidência, o escândalo do desvio de dinheiro (que vem sendo abafado) tenha [como “cofre arrombado”] exatamente uma companhia de transporte público, a CPTM?

No caso da velocidade impressa a essa etapa emblemática, a das sentenças de prisão e, ainda, o evidente trabalho no feriado, faz-me refletir sobre os brasileiros que aguardam durante décadas por um resultado de processo na Justiça.
Afinal, algo pode ser feito para que a justiça brasileira deixe de ser morosa? O que falta e, para que não mais falte, o que um ministro da justiça deve fazer?

A suspensão de feriados para funcionários do Judiciário poderia ser uma forma de acelerar o julgamento de processos, nas mais diferentes varas, beneficiando esses brasileiros, cujas vidas poderiam ser positivamente transformadas, diante de resultados longamente aguardados?

(Destaco alguns exemplos: julgamento de plano de saúde descumprido, comprometendo ainda mais uma doença grave; denúncias de erro médico; cumprimento de sentença sem ter sido comprovada culpa; indenização por acidente de trabalho etc.)

Roberto Jeferson, o único réu confesso, não foi preso nesse momento em que as atenções para o fato são mais evidentes. Qual o porquê?

A Rede Globo acaba de confirmar seu apoio à ditadura militar 1964-1985. Zé Dirceu e José Genoíno foram presos e exilados pelo regime militar. O julgamento da Ação Penal 470 teve inédito destaque pelo jornalismo da empresa Globo. O senhor não se sente instrumento de uma espécie de revanchismo?

O senhor não vê incompatibilidade ou, melhor dizendo (para usar uma expressão bastante cara aos defensores da autonomia entre os poderes e, também, em relação ao poder da grande imprensa), não vê uma situação de conflito de interesses, sendo pai de um funcionário da Rede Globo, e continuar exercendo a função de ministro?

Se a Rede Globo funciona com base em concessão pública, com papel inegável na formação de opinião pública (lidera a audiência, sobretudo com seu telejornalismo), não configura troca de favores ou compadrio, empregar um parente de Ministro?

No serviço público em geral, como investigar e corrigir, diante da suspeita de “nepotismo cruzado” (quando uma autoridade, impedida de dar emprego a parentes, lança mão da contratação do parente de outra autoridade, desde que essa beneficiada lhe retribua proporcional favor)?

Sobre a sonegação da Rede Globo. O senhor não se sente desmoralizado diante da opinião pública, que, graças às redes sociais, não esgota sua curiosidade sobre os temas com base na grande imprensa?

É sabido e comprovado que a Rede Globo sofre processo por sonegação fiscal e, também, que uma peça fundamental de processo contra a empresa desapareceu dos arquivos. Esse tragicômico episódio não traria o risco de nosso sistema jurídico parecer muito amador e sujeito ao furto de documentos importantes? Não poderíamos, jocosamente, ser chamados de país em que o setor judicial é comparável às tramas das novelas produzidas pela Rede Globo de Televisão?

Em alguma circunstância, o senhor se candidataria à presidência da República?

Sem mais perguntas. Ou melhor: CEM mais perguntas, eu faria. Se o senhor pudesse me ouvir, (e sem tentar me calar, POR CLEMÊNCIA!).

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O DIA EM QUE A LIBERDADE HUMILHOU A DEMOCRACIA

Réus de um conturbado julgamento, com alarde inédito pela mídia conservadora, entregam-se à Polícia Federal, após decretada sua prisão.
Nunca antes, na história deste país, houve maior certificado de garantia de que as instituições jurídicas e as empresas de jornalismo – em que pese seus inegáveis e gravíssimos equívocos – gozam de irrestrita liberdade de ação. O que, talvez, seja a maior demonstração de que ambas têm abusado disso, corroendo o ideal democrático que deveriam celebrar.

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Historicamente, a liberdade irrestrita tem sido o emblemático escudo das tiranias; ao se sobrepor à igualdade e à fraternidade, abafa-lhes e inviabiliza.
É vergonhoso admitir que o abuso da liberdade pela velha ‘mídia’ vem impondo lamentáveis ataques à democracia no Brasil. No lugar de informar, ela promove sistemática e impunemente o linchamento moral, prejulga, aniquila quem lhe desafia. E tem como aliados, incontáveis juízes, que lhes são reféns.
Solidarizo-me com o Partido dos Trabalhadores, neste triste dia.

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Morte no campus: onde erramos?

Luto na Universidade. Aquela que é idealizada como templo da razão, terá perdido a emoção? Causa profunda estranheza a rápida certeza de todos contra todos. Mal amanhecia a dor e tantos lados já tornavam públicas, as suas verdades do dia. O guarda não guardou, pois o mandatário não mandou, já que o rei não aprovou e o local não liberou.
Mas lá estava o cadáver. E foi do estudante, com futuro brilhante, como poderia ter sido outro.

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E lá, de muitas formas, ainda permanecerá o cadáver. O teatro de arena vazio, no coração da praça, guarda um silêncio gritante, quase querendo contar sobre a faca, o skate, o medo, raiva e rancor, e sobre as desigualdades e diferenças, quase todas, não banais. E sobre as muralhas do proibido, que vêm expondo a ainda mais perigos, os anjos monstros, de dentro e pra lá da ilha. Ah, mas como olhar para o cenário e dar as costas às notórias e notáveis notas oficiais, a replicar suas proibições!
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E de soluções prontas e donos da verdade, o espaço reservado aos comentários está repleto. “Festa pra quê? É óbvio! Universidade é pra estudar, não pra fazer festinhas!”
Isso dispensa inteiramente de pesar, ou de pensar, todos aqueles que se julgam vítima das vítimas: “Eu, que nem pude estudar, pago impostos e sustento esses playboys!”
Quanto aos que estudam, mas são convictos de que abominariam divertimentos estudantis, não espere solidariedade ou comoção. Talvez achem ruim um campus usado na madrugada e, em contrapartida, essa biblioteca não funcionar por quase 3 dias!
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A imagem das garrafas e copos espalhados insiste em provocar obviedades: “Também, estavam enchendo o caco de birita!”; “A culpa é da bebida. E sabe-se mais o que! Essa Unicamp sempre tem uma brisa…”.
Pronto! Quem não bebe e não frequenta festas, já pode seguir a vida. E quem nunca associou a estudantada ao fumacê e jura não ter premonitoriamente avisado que, um dia, uma tragédia ainda iria acontecer?
É incrível que alguém se sinta saudoso ou nostálgico da ditadura. E a esses, jamais me juntarei. Mas há que se recordar que a capacidade de resistir ao arbítrio era proporcionalmente maior. Em meados dos anos 60, o Coronel Erasmo Dias conseguiu chocar até os mais conservadores, ao afirmar que estudante é pra estudar. Mesmo naqueles tristes dias, para os amantes da liberdade, não era necessário se alongar sobre o valor das madrugadas e seus sonhos.
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Aqui, estamos supostamente livres do peso repressor, em nosso cálido 2013. Mas se impõe defender o óbvio: o campus, principalmente o de uma renomada universidade pública, é espaço da vida. E como tal, poderia ter servido de “balão de ensaio” para que se evitasse essa morte. Indo além, a Universidade de Campinas poderia dar-se a tarefa de enfrentar a mais grave novidade, no Brasil (outrora sinônimo de povo pacífico e cordial): o de compreender a fundo, para conter ou reverter o quadro atual, de tão exacerbados preconceitos que têm tido parcelas da juventude como potenciais “bombas-relógios”.
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Inútil tapar o sol com a peneira, com as famigeradas portarias repressivas, que lançam mais lenha na fogueira, alimentando outras tantas formas de individualismo e preconceitos, que batem ponto no xingamento no trânsito, nas arquibancadas em dia de jogo, nos manifestos de rua ou num pátio de colégio. Não são novos, nem desconhecidos, os preconceitos que afloram dessa ausência quase total de sentimentos de alteridade. Mas, ultimamente, têm feito chocarem-se, de modo surpreendentemente violento, religiosos e intolerantes, homossexuais e homofóbicos, pacifistas e “vândalos”, machistas e feministas, só para citar alguns.
E é notório que cresceu a democracia, mas no terreno da ‘cultura’ ou ‘tradição’ universitária, falhamos, por incapacidade de pensar e agir em direção à efetiva inclusão. Os diferentes têm se distanciado tanto que, a cada encontro, rola um choque de alta voltagem. Desta vez, não tão longe da chamada Praça da Paz, no campus da Unicamp, um explosivo e trágico festim.
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Não teria sido um caminho mais natural deixarmos de viver em cativeiros? Não bastava o condomínio fechado, o clube fechado e, agora, a clausura irá sendo imposta à juventude, apartada da universidade por muros altos, mil guaritas, grades e lanças, a antecipar e homenagear o individualismo que já foi sinal de caduquice.
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Por fim, não haverá nada além de proibir? E que portaria será baixada antes do próximo sábado? O que fará conter essa mania que os jovens têm, de expressar juventude!?
Ou nos orientamos para novas reflexões, ou nos conformemos com o vício dos velhos de espírito, de achar que “já sabiam e já previam isso tudo”. Embora nunca achem que têm alguma parcela de culpa por nada.

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A Globo e a onda de protestos: entre o gozo e o grito histérico

De segunda a terça-feira, quando, com pequenas variações na data ou horário, inúmeros prefeitos, governadores e a Presidente ficaram engessados, diante da impossibilidade tanto de reprimir (pelo risco de exceder na violência), quanto o de passar por incompetente na tarefa de manter a paz, a ordem e a defesa do patrimônio público e privado, contra manifestantes (infiltrados ou insuflados), a Globo teve quase que o completo controle da situação. E o utilizou, de forma abusiva. Até mesmo quem não é especialista em mídia teve a sensação de que as sucessivas reportagens da Globo, para os telejornais, forçaram a mão no terreno do jornalismo interpretativo, deixando espaço nenhum à factualidade.

Ela própria andou incentivando a ida às ruas, rotulando de modo poético, o tal despertar do gigante, – até o louro José e Ana Maria Braga deram boas vindas à juventude que quer mudar o Brasil – pontuando com excessivo didatismo e repetição, quem representava o bem e quem fazia as vezes do mal, nesse inesperado acontecimento.

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Mas neste sábado, tinha jogo do Brasil. Uma multidão protestava nos arredores do Estádio e, confesso, a expectativa era de que, até mesmo o resultado do jogo, poderia mexer com os (até então imprevisíveis) ânimos dos participantes. Junte-se o fato de que os próprios torcedores, presentes ao estádio para ver o jogo, poderiam repentinamente se juntar aos que se aproximavam do local. 

Ao menos durante esses 90 e poucos minutos de duração da partida, foi a vez da Globo ter a sensação de temor e paralisia.

Se ela desistiu de seu intento – qual seja, tomar as rédeas e conduzir segundo sua própria égide as manifestações que  pipocam pelo país, ressignificando seu conteúdo e impondo os contornos, a sua forma – parece-me, a resposta é não.

O recuo tático parece-me momentâneo e está relacionado à subordinação dos interesses da Globo à FIfa, de modo mais geral e, específica e pragmaticamente falando, na precariedade diante de uma emergência, caso a integridade física da equipe de narradores, bem como de jogadores das seleções fosse posta em risco.

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Desistir é um termo forte demais para as forças políticas às quais a Globo empresta a cara, neste momento, que se apresenta como o contexto mais oportuno à manipulação de informação, se considerado todo o período de governo Lula/Dilma.

Nem mesmo o chamado escândalo do mensalão e seu posterior show-julgamento possibilitaram aos setores anti-PT um tal acúmulo de forças, quando as surpreendentes manifestações de rua da semana que passou. 

A possibilidade de inviabilizar a continuidade do governo Dilma, ou, de ao menos roubar-lhe uma fatia generosa do percentual de popularidade, é tentadora demais. E a fórmula inicialmente adotada – jogar lenha na fogueira, para que a estudantada siga fazendo volume e barulho nas ruas, com a sua garra de disposição dignas de causar inveja à velha esquerda – é velha, batida, mas revelou-se poderosa demais para ser abandonada.

Estejamos de prontidão. Ops. Estejamos atentos e com vigor de resistência democrática à altura dos ataques que ela venha a sofrer.

 

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NO QUARTO COM ZÉ DIRCEU

A revista Verja quis invadir a privacidade de José Dirceu. Absurdo! Repórter tentou adentrar o quarto dele. Grave! Mas como diz a sabedoria popular, não se pode dizer dessa água não beberei, ou melhor, confesso que eu mesm, podendo, daria uma espiadinha, uma invadidazinha, uma revistadazinha. É que eu nasci em época errada e tem muitas coisas que mudam com o tempo. Eu, por exemplo, se já fosse gente em 68, se já fosse repórter… Vixe! que eu nem esperava a Verja me mandar! Olha a foto dele quando ele era Zé Dirceu, digo, quando era líder estudantil. Eu brinco em serviço? rs.

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CAMPINAS NO BICO DOS TUCANOS & DOS CORVOS

Se havia suspeita de que a muié do prefeito é chefe de quadrilha, é óbvio que o próprio seria, no mínimo, dançarina de can-can, no cabaré desse faroeste. Mas ainda não tava provado. A Câmara, ao precipitar-se, afastando o doutor, com a corajosa exceção do vereador do PCdoB, antecipa o festival de bizarrices que se espalhará pelo país, no ano das eleições para prefeitos. Estou torcendo pro mundo acabar em 2012. Contudo, pelo que dizem, acabaria em 21 de dezembro, o que significa que não nos livraremos das eleições. Na cidade que amo, ficou clara a falta de identidade das siglas partidárias, a fragilidade ideológica, a ausência de consistência de programas político partidários, o que sinaliza: falta de princípios. Nos poucos partidos dos quais esse conteúdo obrigatório poderia ser esperado, nota-se que ele é suplantado velozmente, seja diante de uma mala preta, por medo do que sairá no jornaleco da cidade, por rabicó preso com interesses inconfessáveis ou por simples personalismo. Vejamos o PT: a companheirada se precipitou (literalmente: lançou-se ao precipício) e pode ter se metido numa lamentável cilada. Se o doutô ainda não tava incriminado pela Comissão Processante, seria o partido mais interessado em ganhar tempo, afinal, afastado Hélio, voltam-se as atenções para o vice-prefeito, que é do PT. Replay: é do PT. O Vilagra (não vai ter o que o erga) já assume a vaga condenado. A população campineira já teve prefeitos petistas: Jacó, Toninho, Izalene e agora tinha o vice. Jacó saiu do partido, Toninho foi assassinado e a sucessora não foi capaz sequer de liderar um efetivo processo de apuração desse crime político. Já Vilagra, na condição de vice-prefeito, deixou-se flagrar, logo de cara, no esquema de corrupção que fisgou o, agora traído aliado, Dr. Hélio. Com que cara o partido – que agora trai o governante que apoiara, e está envolvido até o pescoço no mesmo processo que gerou escândalos de desvio de dinheiro da Sanasa -, vai pedir voto a esse surpreso, desconfiado ou atordoado eleitor?

 

É DE REVIRAR LEONEL: PDT DAQUI É LEGENDA DE ALUGUEL

O PDT, por incrível que pareça, não terá maiores problemas, em que pese ser o partido do marido que não sabia onde estava a muié, nem no dia dos namorados. Hélio não poderia se candidatar a um terceiro mandato e há tempos preparava sua aterrissagem em alguma sigla nova ou naquela morta-viva, recém abastecida de cargos no governo federal. Essa é de fazer revirar Leonel, mas PDT em Campinas sempre foi legenda de aluguel. Grande parte dos políticos pulou ali, vindo dos piores pardieiros partidários, pouco antes ou imediatamente depois do prefeito ser eleito para seu primeiro mandato. Dito diretamente, o PFL foi a origem de muitos deles. E pensar que o pê-fê-lê foi um dos nichos direitosos mais combatidos pelo inconfundível Brizola! Ao menos em Campinas, quem votou nessa gente, que simplesmente abandona um herói ferido na estrada – talvez para o bem do prefeito companheiro de sigla, abreviando-lhe o vexame do previsível desfecho – vai continuar votando nela. Para quem não escolhe candidato baseado em conteúdo programático da sigla, por ideologia, tanto faz, fica do mesmo tamanho. A quem, afinal, a antecipação do fuzuê fez bem? Pro tucanato, certamente, que mira Hélio, atinge o PT de Dilma e fará de tudo pra mandar na cidade das Andorinhas. Pro PMDB, então, não poderia estar melhor. “Genro não é defeito” (relembrando Brizola, que teria dito “cunhado não é parente”) e o moçoilo da filha de Hélio, vereador do PMDB que o diga! Votou sem pestanejar pela cassação do sogrão! Para o partido de Sarney (já tô quase chamando de presidente, botando o retrato do bigode outra vez, na parede, no mesmo lugar) ficou mamão com mel. Tem verba, influência e cargos pra funcionar como gigantesco caça-prefeitos, “mérito” que tem feito muito mais magia do que Herculano Quintanilha, aqui pela região. Num só dia, dois prefeitos peemedebezaram por estas bandas. Relembremos: o PMDB paulista apoiou Serra. Replay: apoiou Serra.

Ainda não sei o que é pior para a cidade, estar no bico dos tucanos ou no bico do corvo, que dá rasantes quando sente o cheiro da carniça (e partido de massa, quando perde a massa, vira o quê, PT?). Por fim, sobra a sabedoria dos mais experientes. A cassação antecipada teve placar 32 a 1. O PCdoB, embora integrando a coligação eleita sucessivamente para governar Campinas, colaborou para que houvesse investigações, quando suspeitas surgiram e, principalmente, não foi alvo delas, em momento algum. Assim, não decepcionou os que louvam a ética: não se envolveu em desmandos ou corrupção. Tampouco acompanhou partidos da base do ora esfacelado governo municipal quando se tratou de participar de pré-condenações ou linchamentos políticos. Assim, nas eleições municipais, espera-se que, na falta de sigla a sua altura, ao comemorar seus 90 anos, com inegável histórico de coragem no enfrentamento de práticas políticas anti-populares, lance candidatura própria, apostando na força dos movimentos sociais, na luta da militância. E que vença a dignidade.

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BONNER CHAMA RAINHA ELIZABETH DE DITADORA NO JN

Já pensou que massa!? Bonner: “A ditadora acenou da janela do Palácio de Buckingham para os protestantes que ameaçavam invadir o local. Foi reforçada a Guarda Real. A monarquia na Inglaterra já perdura há séculos, sendo comuns assassinatos, degolas, conluios com a Igreja Anglicana e atrocidades que estão sendo condenadas pela ONU. EUA já anunciaram prontidão para invadir o país, pois está provado que os chapéus de madrinhas de casamento são armas de destruição (do bom gosto) em massa”. Pena que isso é obra de minha imaginação! Mas pelos princípios da Groba, é “relembrado” há quanto tempo um governante está no poder somente quando esse não faz parte do rol imperialista. Kadafi não é referido pelo nome há várias edições do Jorná Nacioná: “O ditador da Líbia fez isso, fez aquilo, mataram o filho dele etc.” Tem conflito de rua? Tem protesto? Povaréu com bandeira, reivindicação e poliça batendo ou atirando pra matar? A Groba faz as continhas de há quanto tempo o governante está no poder (independentemente da cultura política, do regime, de ter sido escolhido pela maioria) e tasca lá “O ditador fulano, beltrano, cicrano” e assim vai.

Alguma vez questionou monarcas no Japão? (Pra rimar): claro que não! Se o país é capitalista voraz no time do Tio Sam, perpetuar-se no poder, por décadas, séculos, milênios, é chamado de “Dinastia”. Olha que charme! Imperador, Sheik árabe, Monarca, que máximo! Há quantos séculos está instalada no poder, aquela que é pomposamente chamada família real britânica? Tudo bem, muita gente dirá que essa reminiscência nobre, dos tais reis, rainhas, príncipes ou duques é simbólica, não tem alcance político. Simbólica ou não, a vagabundagem desses seres em sistemas que somam monarquia + parlamentarismo ou outras junções esdrúxulas, se dá às custas da população local e demais trabalhadores sob exploração dos “donos do mundo”. Eu vejo os protestos na Inglaterra, e não deixo de pensar na corja que não sabe o que é trabalhar, vai se perpetuando ad infinitum em quilométrica residência e repassando o dolce fà niente às demais gerações. Vez ou outra, ainda organiza com estardalhaço e patrocinada por quem trabalha, aqueles casamentos suntuosos, de uma cafonice atroz e regabofes a custos bilionários, que sustentariam toda uma população, considerados os inúmeros países que vivem na miséria. Vai Bonner: segue os princípios Groba e tasca: “Elizabetão, sua louca ditadora! Vende tudo essas paradas mais os teus mocós e distribui o cascáio, o din-din pros trabalhadores”. Fátima Bernardes completaria a cena; do ladinho, com cara de onça pintada pronta pra atacar, de tão revoltada.

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UM PASSO ATRÁS, UM CAIXA 2 À FRENTE?

Mostro o jornaleco da cidade pro camarada Lênin, apreensiva: retoma-se o “escândalo da SANASA”. Faço leitura dinâmica, morta de medo de ver o vereador que elegi (e apoio incondicionalmente) envolvido. Ufa! Não tá. Mal respiro, logo abaixo dessa notícia sobre o processo de apuração de desvio de dinheiro etc., mesma página, duas notícias de protestos populares magros, esvaziados, em pontos distantes da cidade. As reivindicações, somadas, não juntaram 100 pessoas. Mas me pareceram justas: uma era “Fora prefeito”, pelos indícios de corrupção, em contraposição a obras essenciais prometidas e nunca cumpridas no bairro, por suposta falta de verba; outra mostrava a revolta de proprietários de obras embargadas por falência das respectivas empreiteiras e cobravam direito a financiamento anunciado, para retomada das construções, mas não liberado. Presença dos partidos de esquerda? Aparentemente, nula. Até aí, respiração já normalizada, tomo o café. Pois escarafunchando um pouco mais o jornal, deparo-me com foto grandona, ao alto da página, com Ministro e secretário municipal de esportes do partido que apoio. Gelei! Putz, que será que aconteceu? Ambos estão com um risinho “amarelo”, de quem leu as inomináveis últimas edições da Revista Época. Somos o alvo. Meu coração quase salta pela boca. Só me acalmou perceber que era a coluna social. Que alívio! (Eu disse ‘alívio’?) É uma sensação contextual: nós íamos mudar o mundo! Atualmente, só de saber que no dia de hoje não fomos acusados de roubo, não deu pra participarmos de ato popular e aparecemos meio deslocadinhos na coluna social, tornou minha manhã serena.

Tô pior que a véia protagonista de “Adeus Lênin”: esteve em coma durante as reformas que culminaram com o fim do muro de Berlim e, enfraquecida, ao voltar à consciência, não agüentaria a verdade. Me enganem, que eu gosto. Mas não se enganem. Basta uma molecagem pra enlamear nossa honrosa bandeira, prestes a completar 90 anos de lutas contra a opressão. Eu disse “contra a opressão”, não confundir com “cobramos o preção”.

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