Leilão de libra: golpe de mestre anti espionagem e sabotagem dos EUA

Acho ingenuidade afirmar que, para desenvolver Libra, são necessários “apenas” tecnologia+capital. Respeito os especialistas que têm feito essa afirmação, mas discordo. Creio que foi acertado, por parte do governo Dilma, estabelecer uma espécie de acordo tácito, alinhando-se a parcelas importantes, dentre os poderosos blocos políticos internacionais.
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O Brasil, sozinho, estava sendo alvo de espionagem e tentativas de sabotagem ou, muito mais grave, exploração do tipo “pirata” do pré-sal (vide o criminoso vazamento de petróleo, causado pela Chevron, em Campos). Deixado ao acaso, o pré-sal não poderia render os bilhões de que se ressentem a educação e a saúde e, ao mesmo tempo, os danos incalculáveis ao meio ambiente, em exploração não autorizada ou que não fosse altamente especializada, representavam um descuido imperdoável ao Estado Brasileiro. Nossa soberania não é a soberania do megafone (se fosse, o pré-sal seria tão nosso, quanto as Malvinas são da Argentina).
É preciso ser sagaz, para não perder na batalha bélica, um patrimônio possível sob a égide da aliança política e econômica, tão saudável, de resto, ao modelo democrático.
Ao compartilhar com a anglo-holandesa Shell, mais as chinesas, o Brasil sinalizou que os que mexerem com o capital ali investido, a partir de agora, estarão comprando briga com cachorro grande. É minha interpretação. Acho que os especialistas estão fazendo uma análise presa exclusivamente à esfera imediatamente ligada aos possíveis lucros no plano monetário.
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Não basta. Haja vista mais de um século de guerras pelo petróleo no Oriente Médio. Ser possuidor dessa riqueza é algo que não se resolve com tecnologia+capital nacionais. A esfera estratégica e bélica adotada pelo Brasil, com o modelo de partilha usado no leilão de Libra, além de resultados imediatos em termos de lucratividade, pareceu-me um golpe de mestre, do ponto de vista da originalidade. Faz-se a defesa da soberania, com base em ações que os fóruns democráticos internacionais nos estejam favoráveis, diante de alguma tentativa tosca de invasão ou coisa que o valha. A partilha, interpreto, foi uma forma de dividir para controlar. A Petrobrás à frente do consórcio, arremata com fineza esse raciocínio de que, sim, O PETRÓLEO É NOSSO!

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MAS QUEM VOTARIA EM MARINA, AFINAL?

O PT tava ruim pra Marina, que o deixou fazendo estardalhaço, militante “histórica”, que era, e ocupando ministério. O que se previa? Uma crítica de esquerda e a soma de forças a uma sigla idem. Mas ela foi candidata pelo PV. Ainda assim, muita gente de esquerda votou nela em 2010, como se sua ida pro reduto [outrora ecologista] fosse conferir a tal ninho ares mais arrojados, maior espaço para superar [supostamente] o que ficara ultrapassado e envelhecido no PT. Mas sua faceta evangélica espantou boa parte desses que votaram; muitos se autodefinindo como incautos, arrependidos. Agora, ela expõe a incapacidade de tornar partido a sua rede, indicando que a sua capacidade de levantar a arquibancada, já não tem a força de candidata que levou as eleições de 2010 para o segundo turno. E pra confundir os biógrafos (só pode ser!), ela ainda mergulha no PSB, justamente um partido que pertence à base aliada do governo do PT, que ela abandonou. Afinal, quem é o eleitorado dum troço desses?

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Deixando de lado a figura política de Marina e ampliando o olhar para o espectro político que se rearticula, há razões para otimismo. Volta-se ao núcleo central de sustentação da primeira candidatura de esquerda, na primeira eleição direta para presidente no pós ditadura: a da Frente Brasil Popular (PT, PCdoB e PSB).
Eu torço para que a disputa principal fique entre PT+PCdoB versus PSB de Luiza Erundina e Marina (ambas, mulheres que se popularizaram e se notabilizaram graças à militância no PT). Se assim fosse, uma situação inédita no Brasil, que teria como candidaturas mais populares, essas siglas e/ou personalidades que – decididamente – não podem receber outra classificação senão centro-esquerda. Infelizmente, essas “águas” todas andam turvas e minha utopia soa ingenuidade pura… Mas resta o sonho. E o “empurrãozinho” da militância nas ruas.
Se a militância e os marqueteiros de ambas as candidaturas observarem um mínimo de politização, ou uma espécie de pacto (no que se refere ao nível do debate político), a sociedade brasileira poderá estar livre do nível esgoto que temos quando é PT versus tucano (tipo: não vote no Lula porque ele é analfabeto e tem só 9 dedos nas mãos; a Dilma é sapatão, aborteira e terrorista, o problema desse governo foi a corrupção e o bolsa esmola etc. etc. etc.). Oremos! rssss. No mais, qualquer das duas candidaturas que vença, não creio ser difícil um pacto para um governo de coalizão, reunindo todos contra o retrocesso.
Outro ineditismo que não poderia ficar despercebido: dentre os personagens centrais dessa disputa, o mulherio se destaca. Dilma, Luiza Erundina e Marina. É lindo de viver!

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21 anos de Carandiru e continua o terrorismo de Estado em SP

Era 2 de outubro de 1992, a polícia do governo do Estado de São Paulo entra no Complexo do Carandiru e executa 111 homens, na que ficou conhecida como a maior chacina perpetrada pelo sistema carcerário no Brasil. Entre os policiais, não foram registadas mortes, nem ferimentos por arma de fogo, o que dá dimensão da disparidade de forças e da fome por extermínio que nortearam a ação.
carandiru
Isso representou, decididamente, uma das mais apoteóticas demonstrações de terrorismo de Estado.
Da barbárie de Fleury à truculência de Alckmin contra o povo, todo e qualquer conflito ou protesto, faz jorrar litros de violência policial, orquestrada pelo mandatário do estado considerado o mais moderno e rico do Brasil.
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O ataque a Pinheirinhos figura como um outro aviltante episódio de incompetência somado a atos ilegais, por parte do governo do Estado. E a violência e falta de diálogo acontecem todos os dias. Urge gritar que o rio de sangue continua em São Paulo.
Residents of the Pinheirinho slum walk away from a fire set by other residents resisting police arrival to evict them in Sao Jose dos Campos
Neste momento (para invariar!), Alckmin soca a bota nos professores em SP. Em greve – por motivos óbvios e mais do que justos – seriam os protagonistas de uma educação de qualidade. Fossem ouvidos e dignificados, evitaríamos os eternos carandirus.

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Morte no campus: onde erramos?

Luto na Universidade. Aquela que é idealizada como templo da razão, terá perdido a emoção? Causa profunda estranheza a rápida certeza de todos contra todos. Mal amanhecia a dor e tantos lados já tornavam públicas, as suas verdades do dia. O guarda não guardou, pois o mandatário não mandou, já que o rei não aprovou e o local não liberou.
Mas lá estava o cadáver. E foi do estudante, com futuro brilhante, como poderia ter sido outro.

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E lá, de muitas formas, ainda permanecerá o cadáver. O teatro de arena vazio, no coração da praça, guarda um silêncio gritante, quase querendo contar sobre a faca, o skate, o medo, raiva e rancor, e sobre as desigualdades e diferenças, quase todas, não banais. E sobre as muralhas do proibido, que vêm expondo a ainda mais perigos, os anjos monstros, de dentro e pra lá da ilha. Ah, mas como olhar para o cenário e dar as costas às notórias e notáveis notas oficiais, a replicar suas proibições!
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E de soluções prontas e donos da verdade, o espaço reservado aos comentários está repleto. “Festa pra quê? É óbvio! Universidade é pra estudar, não pra fazer festinhas!”
Isso dispensa inteiramente de pesar, ou de pensar, todos aqueles que se julgam vítima das vítimas: “Eu, que nem pude estudar, pago impostos e sustento esses playboys!”
Quanto aos que estudam, mas são convictos de que abominariam divertimentos estudantis, não espere solidariedade ou comoção. Talvez achem ruim um campus usado na madrugada e, em contrapartida, essa biblioteca não funcionar por quase 3 dias!
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A imagem das garrafas e copos espalhados insiste em provocar obviedades: “Também, estavam enchendo o caco de birita!”; “A culpa é da bebida. E sabe-se mais o que! Essa Unicamp sempre tem uma brisa…”.
Pronto! Quem não bebe e não frequenta festas, já pode seguir a vida. E quem nunca associou a estudantada ao fumacê e jura não ter premonitoriamente avisado que, um dia, uma tragédia ainda iria acontecer?
É incrível que alguém se sinta saudoso ou nostálgico da ditadura. E a esses, jamais me juntarei. Mas há que se recordar que a capacidade de resistir ao arbítrio era proporcionalmente maior. Em meados dos anos 60, o Coronel Erasmo Dias conseguiu chocar até os mais conservadores, ao afirmar que estudante é pra estudar. Mesmo naqueles tristes dias, para os amantes da liberdade, não era necessário se alongar sobre o valor das madrugadas e seus sonhos.
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Aqui, estamos supostamente livres do peso repressor, em nosso cálido 2013. Mas se impõe defender o óbvio: o campus, principalmente o de uma renomada universidade pública, é espaço da vida. E como tal, poderia ter servido de “balão de ensaio” para que se evitasse essa morte. Indo além, a Universidade de Campinas poderia dar-se a tarefa de enfrentar a mais grave novidade, no Brasil (outrora sinônimo de povo pacífico e cordial): o de compreender a fundo, para conter ou reverter o quadro atual, de tão exacerbados preconceitos que têm tido parcelas da juventude como potenciais “bombas-relógios”.
biritanacativeiro
Inútil tapar o sol com a peneira, com as famigeradas portarias repressivas, que lançam mais lenha na fogueira, alimentando outras tantas formas de individualismo e preconceitos, que batem ponto no xingamento no trânsito, nas arquibancadas em dia de jogo, nos manifestos de rua ou num pátio de colégio. Não são novos, nem desconhecidos, os preconceitos que afloram dessa ausência quase total de sentimentos de alteridade. Mas, ultimamente, têm feito chocarem-se, de modo surpreendentemente violento, religiosos e intolerantes, homossexuais e homofóbicos, pacifistas e “vândalos”, machistas e feministas, só para citar alguns.
E é notório que cresceu a democracia, mas no terreno da ‘cultura’ ou ‘tradição’ universitária, falhamos, por incapacidade de pensar e agir em direção à efetiva inclusão. Os diferentes têm se distanciado tanto que, a cada encontro, rola um choque de alta voltagem. Desta vez, não tão longe da chamada Praça da Paz, no campus da Unicamp, um explosivo e trágico festim.
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Não teria sido um caminho mais natural deixarmos de viver em cativeiros? Não bastava o condomínio fechado, o clube fechado e, agora, a clausura irá sendo imposta à juventude, apartada da universidade por muros altos, mil guaritas, grades e lanças, a antecipar e homenagear o individualismo que já foi sinal de caduquice.
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Por fim, não haverá nada além de proibir? E que portaria será baixada antes do próximo sábado? O que fará conter essa mania que os jovens têm, de expressar juventude!?
Ou nos orientamos para novas reflexões, ou nos conformemos com o vício dos velhos de espírito, de achar que “já sabiam e já previam isso tudo”. Embora nunca achem que têm alguma parcela de culpa por nada.

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AS FERIDAS ABERTAS DA AMÉRICA LATINA: O 11/09/1973 NO CHILE

Depois de ter as mãos esmagadas a coronhadas, Victor Jara ouviria do oficial que dava ordens aos torturadores: “¡A ver si ahora vas a tocar la guitarra, comunista de mierda!”. O golpe militar liderado pelo General Augusto Pinochet flagraria o Presidente socialista Salvador Allende no Palácio Presidencial de La Moneda. Acossado por tropa militar pronta para o bombardeio à sede do governo, naquele 11 de setembro de 1973, escolheu, ali mesmo, o suicídio a se render. Victor Jara, 40 anos, integrante do Partido Comunista do Chile e embaixador cultural do Governo da Unidade Popular, foi surpeendido pelo bando armado na Universidade, onde lecionava jornalismo; contribuia notoriamente para consolidar o socialismo, como músico, cantor, teatrólogo e ativista político.

Levado como milhares, naquele dia, para campos de futebol, convertidos, então, em presídios assolados por show de horrores, seria longamente supliciado fisica, moral e psicologicamente. As bárbaras torturas perpetradas contra o povo chileno, que militava em prol do socialismo no poder, no caso de Victor Jara, transboradavam o ódio remoído pela corja fardada, patrocinada pelo Pentágono no auge da guerra fria; tinham sabor de punição exemplar e de revanchismo à sua arte, popularidade e ousada convicção. Por razão óbvia: tudo nesse herói popular estava emblematicamente voltado ao fim da desigualdade e sintetizava a força e ternura conquistadas naquela nação, rumo à construção do sonho anti-capitalista. No teatro, desde meados dos anos 50, Jara já imprimira suas convicções, dirigindo peças voltadas à conscientização política e à popularização da arte dramática. Mesmo antes da chegada de Allende ao poder, já atuava comprometido definitivamente com a causa socialista, com a envergadura de quem havia posto em primeiro plano as canções de protesto e o movimento ‘Nueva Cancion’, que dava relevo ao que genuinamente representava a cultura musical chilena. Ele fora o vencedor do Primero Festival da Nova Canção Chilena, em 1969, com ‘Plegaria a un labrador’, em que, na forma de prece, tece o sofrimento e a fé em dias melhores, almejados pelo campesinato. E o faz com conhecimento de causa, tendo ele próprio nascido de família pobre de trabalhadores no campo, geradores de riqueza, provedores diretos de alimentos, e paradoxalmente, explorados e miseráveis, onde quer que reine a sociedade movida pelo lucro.

Te recuerdo, Amanda’, outra canção premiada e muito popular, que já no título homenageia sua mãe, que tinha esse nome, denuncia em forma de poesia, as condições duramente suportadas por trabalhadores chilenos, muitos deles expostos à fatalidade – como o clássico caso de trabalhadores em minas, os carvoeiros: “Te recordo, Amanda, A rua molhada. Correndo à fábrica Onde trabalhava Manuel. O sorriso largo. A chuva no cabelo. Não importava nada. Você foi ao encontro dele. Com ele, com ele, com ele, com ele. Que partiu para a serra. Que nunca cometeu erros. Que partiu para a serra, e em cinco minutos foi destruído. Soa a sirene, de volta ao trabalho. Muitos não voltarão, tampouco Manuel.” (traduzido do original, em espanhol).  

Por longos 5 dias e noites foi torturado, no Estádio Chile, que atualmente leva seu nome, antes de ser assassinado, em 16 de setembro de 1973, e ter seu cadáver, desfigurado, atirado na rua, em bairro da periferia de Santiago. À viúva caberia o reconhecimento do corpo e as providências para um enterro realizado em meio ao medo e ao nevoeiro que se espalhavam pelo país e que encobriam de modo particularmente cinzento a capital. O jornal El País [‘La muerte lenta de Víctor Jara’], em 2009, trouxe testemunhos inéditos a respeito desses acontecimentos, na ocasião em que houve a exumação de cadáver do Presidente Allende e de outras vítimas da repressão política e no Chile reascendia-se a discussão sobre os anos de chumbo.

O Chile figura como uma experiência excepcional, posto que o governo era ocupado, na ocasião do golpe militar, por partidários do socialismo. Mas a América Latina toda – o Brasil, desde 1964 – a partir de algum daqueles tristes anos entre a década de 60 e início da de 70, experimentaria o terrorismo de Estado, sob as esmagadoras botas de generais. Em todos esses países, pseudo-democracias sustentadas pelo governo norteamericano e exercidas por militares, calaram o povo e intentaram derrotar o “fantasma” do comunismo, e sob tal pretexto, ultrapassaram – em número e em proporções – todos os limites em direção à barbárie, crueldade e ultraje à dignidade humana, contabilizando crimes que raramente foram examinados e punidos à altura, mesmo após encerradas as respectivas ditaduras. Natural que o povo norteamericano chore o seu 11 de setembro. As minhas lágrimas caem nesta data. Não pelas Torres Gêmeas, mas pelas milhares de atrocidades que caracterizam e sustentam o imperialismo. Choro por Victor Jara e pelo 11 de setembro de 1973 no Chile. Pelas feridas abertas de nossa América Latina.

(*) A canção feita em homenagem a Victor Jara, postada e traduzida logo a seguir, é belíssima, vale a pena ouvi-la:

Plegaria por Victor Jara (Tony Osanah / Enrique Bergen)

“Firme como el Ande, duro como fue tu final; gesto vital, tu canción. Tus manos no mueren: machacadas son un candil, motivan mas que el fusil. Las palabras siguen, no se puede el rio parar, no. No para nunca, nunca; arrasa todo, grita, su himno a la libertad. Te recuerda Amanda, Todas la Amandas en flor, recuerdaran a su cantor; Los tiranos pasan, los poetas siguen de pie, no se asesina la fé. Las palabras siguen, no se puede el rio parar. Tu canto es un rio, que baja bravio camino a la libertad.”

Prece a Victor Jara (livre tradução)

Firme como os Andes (Cordilheira), duro como foi teu final; gesto vital, tua canção. Tuas mãos não morrem: esmagadas são um candeeiro, motivam mais que o fuzil. As palavras seguem, não se pode o rio parar, não. Não para nunca, nunca; arrasa tudo, grita, seu hino à liberdade. Te recorda Amanda, Todas as Amandas em flor, relembrarão seu cantor; Os tiranos passam, os poetas seguem de pé, não se assassina a fé. As palavras seguem, não se pode o rio parar. Teu canto é um rio, que desce indomavelmente a estrada, caminho à liberdade.

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A Globo e a onda de protestos: entre o gozo e o grito histérico

De segunda a terça-feira, quando, com pequenas variações na data ou horário, inúmeros prefeitos, governadores e a Presidente ficaram engessados, diante da impossibilidade tanto de reprimir (pelo risco de exceder na violência), quanto o de passar por incompetente na tarefa de manter a paz, a ordem e a defesa do patrimônio público e privado, contra manifestantes (infiltrados ou insuflados), a Globo teve quase que o completo controle da situação. E o utilizou, de forma abusiva. Até mesmo quem não é especialista em mídia teve a sensação de que as sucessivas reportagens da Globo, para os telejornais, forçaram a mão no terreno do jornalismo interpretativo, deixando espaço nenhum à factualidade.

Ela própria andou incentivando a ida às ruas, rotulando de modo poético, o tal despertar do gigante, – até o louro José e Ana Maria Braga deram boas vindas à juventude que quer mudar o Brasil – pontuando com excessivo didatismo e repetição, quem representava o bem e quem fazia as vezes do mal, nesse inesperado acontecimento.

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Mas neste sábado, tinha jogo do Brasil. Uma multidão protestava nos arredores do Estádio e, confesso, a expectativa era de que, até mesmo o resultado do jogo, poderia mexer com os (até então imprevisíveis) ânimos dos participantes. Junte-se o fato de que os próprios torcedores, presentes ao estádio para ver o jogo, poderiam repentinamente se juntar aos que se aproximavam do local. 

Ao menos durante esses 90 e poucos minutos de duração da partida, foi a vez da Globo ter a sensação de temor e paralisia.

Se ela desistiu de seu intento – qual seja, tomar as rédeas e conduzir segundo sua própria égide as manifestações que  pipocam pelo país, ressignificando seu conteúdo e impondo os contornos, a sua forma – parece-me, a resposta é não.

O recuo tático parece-me momentâneo e está relacionado à subordinação dos interesses da Globo à FIfa, de modo mais geral e, específica e pragmaticamente falando, na precariedade diante de uma emergência, caso a integridade física da equipe de narradores, bem como de jogadores das seleções fosse posta em risco.

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Desistir é um termo forte demais para as forças políticas às quais a Globo empresta a cara, neste momento, que se apresenta como o contexto mais oportuno à manipulação de informação, se considerado todo o período de governo Lula/Dilma.

Nem mesmo o chamado escândalo do mensalão e seu posterior show-julgamento possibilitaram aos setores anti-PT um tal acúmulo de forças, quando as surpreendentes manifestações de rua da semana que passou. 

A possibilidade de inviabilizar a continuidade do governo Dilma, ou, de ao menos roubar-lhe uma fatia generosa do percentual de popularidade, é tentadora demais. E a fórmula inicialmente adotada – jogar lenha na fogueira, para que a estudantada siga fazendo volume e barulho nas ruas, com a sua garra de disposição dignas de causar inveja à velha esquerda – é velha, batida, mas revelou-se poderosa demais para ser abandonada.

Estejamos de prontidão. Ops. Estejamos atentos e com vigor de resistência democrática à altura dos ataques que ela venha a sofrer.

 

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GOLPE CIVIL, TÃO SINISTRO QUANTO GOLPE MILITAR

Diante de esquisitices, no primeiro mês do gov. Dilma, escrevi aqui no blog que PSDB e DEM eram Romeu e Julieta, que apenas fingiriam que morreram, para depois se casar à escondidas, tendo o PMDB como padre. Lá, eu falava de um golpe lento, invisível e sem o barulho das botas dos generais, para que se desse a impressão de que tudo se passava nos quadros de uma democracia…

Na ocasião, eu também indicava que a despolitização das justas ações do governo no plano econômico poderiam ser manipuladas e, ainda, cobrava do PT um zelo pela própria imagem, misturada demais à do PMDB, em minha opinião.

Eu atentava para o fato de que as elites conseguem estigmatizar nomes da esquerda, enquanto nós, a esquerda, não conseguimos pontuar de maneira eficiente, diante da opinião pública, quem são os maiores e verdadeiros vilões contra os interesses dos trabalhadores.

Agora, o governo Dilma tem uma armadilha a desfazer, com todo cuidado, obviamente!

O governo precisa conseguir dar um basta na onda de vandalismo que tem se seguido às manifestações (que começaram com mote muito justo, diga-se de passagem! mas foram e estão sendo paulatinamente apropriadas por setores interessados na desestabilização do governo Dilma, bem como no prejuízo material e moral dos governantes estaduais e municipais alinhados ao governo federal).

É duríssima a tarefa! Muitos manifestantes ainda não compreenderam que sua luta está sendo re-significada, de modo oportunista e, na medida do possível, calculado, orquestrado, tendo a grande imprensa como principal articuladora. Ao lado dessa ingenuidade, os partidos de esquerda também não estão tendo agilidade em encontrar respostas às tentativas de engessamento de sua ação (muitas forças políticas aceitaram tacitamente a ideia autoritária de esconder bandeiras; outros ativistas, exibiram-nas por tola vaidade, mais do que por adequação, num gesto que gera ainda mais clima de provocação e falta de senso de unidade).

Se os protestos gerarem ainda mais prejuízos, desmoralização sobre as condições de governar o país em ambiente de paz – se resultarem em ainda mais presos, feridos ou mortes – estará definitivamente aberto o terreno para que se “justifique” um FORA DILMA.
Até mesmo interesses internacionais teriam discurso na ponta da língua contra o governo brasileiro, afinal, o Brasil sedia a Copa das Confederações, está às vésperas de receber encontro de jovens católicos com o Papa e, em 2014, a Copa do Mundo.

Se Dilma for cassada ou deposta, assume o PMDB. Parece-me claro que esse partido é “elástico” o suficiente para sentir-se agraciado com esse golpe civil. Sairiam do governo PT, PCdoB e PSB e, muito provavelmente, setores do PSDB viriam “agregar esforços” para restabelecer a “ordem” democrática no país.

Num outro cenário, os que de fato presam a democracia, irão assumir a defesa do mandato Dilma, seja na militância blogueira (importantíssima, uma vez que já provou sua eficácia contra as mentiras das grandes empresas de comunicação) e na atuação nos movimentos sociais. Se for pra ir às ruas, que seja em defesa do aprofundamento da democracia: contra a homofobia de Pastor Marcos Feliciano e sua “cura gay”; pela regulamentação dos meios de comunicação (abaixo a libertinagem nas concessões públicas de TV e rádios); pela reforma política, com ênfase para o financiamento público das campanhas eleitorais; pelo aprofundamento das políticas sociais de inclusão.

GOLPE NÃO! VIVA A MAIOR DEMOCRACIA DO MUNDO: A NOSSA: A DE TODOS OS CREDOS E CORES.

Sugiro aos que acompanham meu blog a leitura desse post, que segue no blog:

https://sacimula.wordpress.com/2011/01/30/no-primeiro-mes-da-primeira-presidenta-tempo-nublado/?preview=true&preview_id=186&preview_nonce=5d5ea5f0bf&post_format=standard

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ÊTA DISCURSO DESLEIXADO, SR. OBAMA!

Os EUA já foram mais eficientes em matéria de discurso demagógico pós tragédia local. E, como observa uma amiga, menos óbvios em exibição de pretextos para novas guerras. O desta semana, dirigido aos participantes de missa em memória das vítimas da explosão de bombas caseiras, num evento esportivo em Boston, foram uma b…

obama obama

“Uma bomba não é suficiente para nos intimidar”. Tá sugerindo que venham outras?
“Escolheram a cidade errada!” Qual seria a cidade certa para uma bomba?
“Há um pedaço de Boston em mim”. Nem precisava dizer, chefe! rssssssss.

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DESTA BLOGUEIRA QUE AMA CUBA, PARA A ‘BLOGUEIRA CUBANA’

cuba+brasil+dizeres

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fevereiro 19, 2013 · 5:18 pm

ASSOMBRAÇÕES, MULHERES QUE ASSUSTAM OS HOMENS E OUTRAS BRUXARIAS

Ela não assombra ninguém por pura zombaria. Mexe e remexe como nenhuma (refiro-me a um caldeirão), sempre sem grande pretensão. Não enfeitiça, não hipnotiza e sonha aprender a seduzir. Também não pragueja, nem amaldiçoa. Virtude? Claro que não. Nem culpa ou covardia. Quem sobrevive à eternidade, não roga praga. Nem gasta, em vão, qualquer energia. Quem sabe, praticasse a bruxaria! Ou quem sabe, não. Mas ela prevê o futuro (ou tem poderosa memória de outros passados?). E ela sabe que com ele será exatamente assim:

Ele vai apagar os olhos castanhos e miúdos, bem velhinho. As mãos, lindas, estarão pintadinhas e enrugadas. Nunca arranjou tempo para ser jovem. Oscila do menino ranzinza ao velho sem esperança. Irá tomar seu último cálice de Porto. E num segundo que durará uma amarga eternidade, terá a nítida e derradeira percepção:

– Ah! Que cheiro incomparável de mulher tinham as noites daquele inverno em 1812!

É que a lua negra há muito haverá partido. Mas, sem escolha, mantém corpo e alma aprisionados por seu homem! Como única vingança, ela voltará. Sempre. Por ironia, reaparecerá em tantas e quantas outras vidas ele tiver. Nunca mais em corpo e alma (que ela já não os tem); apenas como um sentimento melancólico, único, irrealizável. Ele terá a permanente sensação de que lhe acompanham olhos profundos e misteriosos, entre a cor cinza e o azul. Entre o sombrio e a liberdade do mar. Só para assombrar. Só para assombrar…

“Não sou tua, sou minha. Eu sou a paixão da noite (…) não sou caminho, sou abismo (…) indomada, assumo o meu poder com destemor e força, entusiasmo e prazer” (Lilith)

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